AMICOR

Comunicação Social da Diocese de Coimbra

 
  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte
Início Correio de Coimbra Actualidade D. Albino em entrevista à Agência Ecclesia

D. Albino em entrevista à Agência Ecclesia

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF
Depois de Coimbra, “tenho o desejo de regressar à Manteigas”
 

- afirmou o Bispo de Coimbra ao jornalista Luís Santos, da Agência Ecclesia,  numa longa entrevista, de que publicamos parte significativa neste site. Para ler a entrevista na íntegra aceda ao site da Ecclesia (
http://www.agencia.ecclesia.pt/) O ainda Bispo de Coimbra afirma que, ao longo destes anos, conseguiu a unidade entre o clero e o laicado.
 
Quando se fala da Diocese de Coimbra, pensa-se sobretudo na universidade. Nesta diocese cometeu “pecados” ao longo destes anos?
Houve realizações conseguidas, outras que deixo a meio e algumas em que bato com a mão no peito. Sonhei…
Bata-nos com “mão no peito”…
Logo no discurso de entrada e, sobretudo, na carta pastoral que escrevi, eu sonhava e apontava duas coisas importantíssimas: a Pastoral Universitária – sabia que não partia do zero, mas era necessário dar novo ânimo –, não atingimos o nível que tinha sonhado… No entanto acho que ela está a crescer, mas muito lentamente porque se mudaram as circunstâncias.
 
A Universidade de Coimbra está espalhada pela cidade…
É verdade. Há encontros. Ainda se sente uma unidade académica em Coimbra – queira Deus que ela não se perca –, mas à quinta-feira de noite ou sexta-feira de manhã ou à tarde ela desaparece. Isto fundamentado com estatísticas fornecidas pela reitoria da universidade. Só retoma possibilidades de encontro na terça-feira. Na segunda está cá, mas cheia de sono. Vem ensonada das noites de fim-de-semana…
A sigla SPES (Serviço Pastoral do Ensino Superior) significa esperança. Quer dizer que tem esperança nesta área?
Estamos a sentir respostas novas. Temos rapazes e raparigas que, alegremente, se entregam a uma Pastoral que mete a vertente reflexiva e a oração. Há a realização de peregrinações e de noites de oração.
Ainda falta a outra prioridade?
Ainda não temos construído um centro pastoral. Temos lugar para ele e algum dinheiro, mas problemas burocráticos – ligados ao PDM de Coimbra que agora estão resolvidos – não possibilitaram avançarmos com a obra.
D. Albino Cleto: “Fiz o que fiz e alguma coisa se fez”
As obras terão o seu início antes de se despedir de Coimbra?
AC – O projecto ainda não está devidamente aprovado. Não conseguimos… Não quero sair e que digam: olhem, olhem… Fiz o que fiz e alguma coisa se fez.
Neste anos também sentiu o perfume das vitórias. Qual a realização que lhe deu mais gozo?
Aponto – desculpem se estou a ser vaidoso – a unidade da diocese. A diocese está unida, embora com pequenas fracturas. O clero da diocese estima-se a si próprio. Sinto-me à vontade no meio do clero.
Mas é capaz de mandar um «murro na mesa»?
Já tenho mandado. Algumas coisas tive de resolver, como se costuma dizer, à faca. Algumas nomeações de párocos, decisões de paróquias, questões de capelas que foram parar tribunal…
O seu sucessor terá o trabalho facilitado…
Sim, mas vai ter muitas aflições para responder a todas as solicitações, relativamente ao número de padres. Todas as dioceses – tirando uma ou duas lá para o Norte do país – se queixam do mesmo. Aqui pode haver também uma culpa da minha parte que foi o retardar a preparação de entrega de algumas paróquias a leigos e a diáconos.
É preciso apostar na Pastoral Vocacional?
Está a crescer, mas posso dizer que já enterrei, em 12 anos, 61 padres. Entre os que ordenei, os que vieram de outras dioceses (Benguela ou Institutos Brasileiros) e uma ou duas incardinações foram 21 ou 22. Perante esta realidade, é preciso dar às pequenas paróquias a consciência que são elas as responsáveis. Ter uma ou duas pessoas que tomam a peito as responsabilidades. Não é apenas a comissão que conta os dinheiros da festa. O pároco deve ser o grande coordenador das dez ou quinze paróquias do concelho. Temos que ir mais longe, para que as paróquias não digam: «Então, em Outubro, quem será o nosso prior?»
 
E também podem perguntar quem será o nosso bispo? Sente essa preocupação no clero e nos seus diocesanos?
Sinto essa preocupação mais no clero do que no laicado. Tornei pública a resposta que recebi (dizendo mesmo que devia torná-la pública) do Núncio Apostólico de que estava aceite a minha substituição e que ela seria executada, presumivelmente, daqui a um ano. Foi o que ele me disse na Quinta-feira Santa. Até Fevereiro ou Março, eu tenho a responsabilidade da diocese e procuro cumprir o meu dever.
Tem curiosidade em saber quem será o seu sucessor?
É normal que tenha curiosidade em saber, mas não me quero intrometer.
“O meu sucessor deverá ter uma relação de proximidade com todos”
Qual o melhor perfil para o seu sucessor?
Tem de ser uma pessoa muito presente localmente porque a diocese é grande. Tão depressa é solicitado para ir celebrar um crisma a Oliveira do Hospital como, no dia seguinte, terá de presidir a uma reunião em Pombal ou na Figueira da Foz. Deverá também ter facilidade de relações, tanto com o clero como com os leigos. Deverá ter uma relação de proximidade porque, bem ou mal, a diocese está habituada a isso. Não é necessário que seja catedrático, mas há uma relação com o mundo da saúde e da cultura que tem de ser garantida. O Bispo de Coimbra tem de saber estar à vontade com professores universitários, grandes médicos… A diocese dialoga com hospitais para ver como havemos de responder – religiosa e socialmente – a situações de famílias que vêm do interior. Temos 8 capelães hospitalares em toda a diocese.
Adaptou-se facilmente à Diocese de Coimbra? Os anos como coadjutor foram benéficos?
Perfeitamente. Uma bênção de Deus.
 
Conheceu a realidade, antes de assumir a diocese…
Eu quis ter um coadjutor, mas na altura disseram-me que, talvez, agora não. Depois passou o tempo. Quando faltavam um ou dois anos não davam um coadjutor.
A  aposta para este ano está situada em que área?
Trabalhar sem estar a pensar que é o último mês, é o último dia, é a última vez… Trabalho porque vamos lançar o ano 2010/11. O programa está feito.
Continua a marcar actividades na sua agenda?
Marco. Quando vier o meu sucessor digo-lhe que marquei esta actividade. Se eu soubesse que o meu sucessor vem no dia 1 de Fevereiro ou dia 1 de Março… Mas como não sei. Vou marcando actividades, embora para o final do ano não me comprometa muito. Tenho também a preocupação de deixar a casa arrumada.
Casa arrumada?
São as questões pendentes que existem em todas as dioceses. Não queria deixar ao meu sucessor uma série de dossiers. Tenho meio ano para o fazer e já estou empenhado nisso.
A diocese ainda está na dinâmica sinodal?
Eu diria que está em dinâmica sinodal, mas devo dizer que não me empenhei – foi outra culpa minha porque assisti à parte final do sínodo (há cerca de 11 anos) – porque senti que o sínodo foi bom e realizou bom trabalho, mas não deixou balanço. O congresso dos leigos (dois anos antes) é que marcou a diocese e deu-lhe um novo impulso. O sínodo não foi agarrado pela diocese na sua execução e eu também não o agarrei.
Como está a decorrer o processo da Irmã Lúcia?
É um dos dossiers onde quero deixar a casa arrumada. Tendo o Santo Padre dado a benesse de nos dispensar dois anos, abrandámos o ritmo. As comissões têm de ser «picadas» por mim porque reúnem-se lentamente. A partir de Outubro vou «picar os calos» à comissão histórica…
O dossier devia estar mais avançado?
Exactamente. Está a caminhar, mas tenho de pressionar mais. Quando vou ao Carmelo sinto que aquilo é um pólo de espiritualidade para o exterior. É interessante verificar que muitas peregrinações a Fátima passam por aqui.
Em Maio último, Bento XVI esteve em Portugal. Coimbra não merecia que o Papa viesse a esta cidade?
Merecia e não foi por falta de pedidos meus. Mas foram pedidos derrotados. O Papa não podia ir a Coimbra se não fosse também a Braga.
Actualmente é vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais. Sempre teve sensibilidade para estas áreas?
Sempre. Inicialmente por um gosto natural. Quando era rapaz – sobretudo depois no Seminário dos Olivais – gostava de visitar monumentos, viajar e conhecer a história da Igreja, do castelo. No Seminário dos Olivais tive bons mestres que me ajudaram nesse sentido. Constituímos uma equipa de arte que estava muito ligada ao Movimento Renovação de Arte Religiosa (MRAR). Desenvolvi o gosto e o interesse por saber mais em relação a estes assuntos. Quando fui colocado no Seminário de Almada, uma das vertentes da educação dos seminaristas era a sensibilidade artística. Comecei a estudar os pintores… Mais tarde fui chamado para a Comissão de Arte Sacra do Patriarcado. Ficou em mim este «bichinho».
“…na preparação do padre, cada diocese tem que cuidar dela”
As dioceses de Aveiro, Leiria-Fátima e Portalegre-Castelo Branco retiraram os seminaristas da diocese de Coimbra. O Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET) de Coimbra está em perigo?
No próximo ano, o ISET funciona com 20 alunos, tantos quantos têm outras escolas superiores de Teologia em Portugal. Mas reconheço que uma escola superior de Teologia com 20 alunos é pouco. Não ia deslocar 16 alunos de Coimbra e 4 de Cabo Verde para Lisboa, Porto ou Braga. Por outro lado, não está encerrado o processo de termos no centro do país um instituto superior de estudos teológicos, em diálogo com outras dioceses. As dioceses de Leiria, Aveiro e Portalegre não nos bateram a porta para todo o futuro. Um Instituto Superior de Estudos Teológicos, tal como uma faculdade, preparam teólogos (homens, mulheres, frades, leigos, padres), mas na preparação do padre, cada diocese tem que cuidar dela. Cada presbitério prepara os seus futuros presbíteros.
O que irá fazer quando passar a emérito?
Tenho o desejo de voltar à serenidade e ao silêncio. Vou acompanhar – não quero magoar ninguém –, mas procurarei observar. Para mim, o grande mestre nisso foi Mons. Pereira dos Reis. Retirou-se para Singeverga. Deus não quis que o Cardeal Ribeiro chegasse até aos 75 anos, mas o propósito dele era retirar-se mais cedo. Disse-me: “quando fizer xis anos (disse-me quantos), eu retiro-me». Tenho o desejo de regressar à minha terra, Manteigas. A serra será o meu refúgio – assim o espero –, não ficando, evidentemente, ali retido constantemente. Estarei ao serviço da Igreja, mas penso ir, bastantes vezes, a Lisboa porque tenho lá instalação garantida, em família, e tenho também lá muitos amigos que quero revisitar.
 

Calendário

Setembro 2010
Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 1 2 3